Domingo à tarde. Lá vai ela subindo mais uma vez a longa ladeira que dá acesso à sua casa. Não há nada ao redor que possa projetar sombras. Tem que suportar os raios do sol, tão quentes quanto o fogo, a tocarem sua pele já castigada pela ação do tempo. No final da sobrancelha grisalha brota a primeira gota de suor de muitas que virão ao decorrer do caminho. Consegue ver o vapor florescendo do solo, no alto da ladeira, tornando as imagens seguintes trêmulas e indecifráveis. Com uma passada e outra, finalmente chega em casa. A chave se encontra debaixo do tapete. Ela ainda tinha a esperança de que seu filho voltaria algum dia para o lar. Abre a porta com um trisco de sorriso na face, mas logo lembra que está só e que a chave estava tal qual deixara. A expressão de melancolia volta a reinar. Já não tem mais o seu marido que sempre estava sentado naquela poltrona empoeirada, nem o velho Capitão Brock, cachorro rabugento, mas o único que a recebia com alegria. Tranca a porta e se dirige ao radinho para ligá-lo. Onde sua casa se localizava só dava para escutar uma estação. O cansaço faz com que suas pernas adormeçam, levando-a a cair sobre o tapete indiano da sala. O tempo parece correr do lado de fora da casa. A lua fez uma rápida visita ao céu, dando lugar ao sol. Estranho o canto do galo. Ela toma um susto ao ver através da janela os primeiros feixes que dão início a um novo dia. Novamente o galo rouco canta. Por ali não havia ninguém que criasse galos. Ainda deitada no tapete, lembra que ficou de fazer as unhas de uma cliente logo cedo. Sim, ela era manicure. Esse era seu ganha pão e aquela cliente era uma das mais importantes, só tinha tempo de se cuidar pela manhã. Sem pensar duas vezes, sem olhar para trás, levanta-se rapidamente, pega a cestinha com o material do seu trabalho, que se encontra ao lado da porta, sai de casa e a tranca. Quando se vira para a rua nota que há algo estranho. Não sentia fome, nem sentia mais o calor daquele forte sol, tampouco o cansaço em seu corpo. Besteira, deveria ser a boa noite de sono que teve. Talvez a cama que costumava repousar era o problema e uma dormida no chão resolveu tudo. Tornou a guardar a chave sob o tapete de “Boas Vindas”, quem sabe seu filho não voltaria hoje? Desceu a ladeira. Percebeu que havia mais coisas estranhas acontecendo. A cidade estava vazia. As casas estavam todas destruídas. O dia de repente fez-se noite. Seres diferentes começaram a povoar aquele lugar, deixando rastros em forma de fluidos cinzentos por onde passavam. Sente um frio subir na sua espinha dorsal, fazendo com que derrube a cestinha despercebidamente, espalhando pelo chão tudo o que ela continha. Voltou pra casa imediatamente, era o único lugar seguro. Não tinha idéia nenhuma do que estava acontecendo. Sem dores, sem cansaço, sem o calor do sol quente, sobe a ladeira de uma assentada. Ao buscar a chave debaixo do tapete, não consegue encontrá-la. Ela estava na fechadura, com a porta entreaberta. Empurra-a vagarosamente, sempre pondo a visão em primeiro plano. Estava tudo escuro. Um lapso de fogo surge no meio da sala, como se alguém tivesse ligado um isqueiro para acender um cigarro. Vê a pequena chama caindo lentamente, em meio à escuridão da sala, no tapete indiano, dando lugar a um verdadeiro fogaréu. O cômodo já não estava tão sombrio. Com a ajuda das chamas consegue ver seu corpo deitado no chão e ao direcionar seu olhar para a poltrona, vê seu filho com um sorriso irônico falando após uma breve risada: “Bem Vinda, mãe”.
9 comentários:
E-X-C-E-L-E-N-T-E.
De forma soletrada, para fazer com que o comentário expresse mais do que a simples palavra escrita.
aushuahsuhauahs
que malígno nate
MUWAHAHAHA
@vinicius
Adoro matar velhinhos >D
você é malígna demais ù.ú
O q foi isso ??? Tá bem , muitas horas de sono por dia ,tá precisando de caminhadas e uns lanchinhos senhora!
@vinicius
Nem sou ._.
@ramalhoivo
Lanchinhos tudo bem, mas nada de caminhadas, senhor. Tenho que aproveitar minha vida de sedentária enquanto posso. HuahUAHua...
é sim oras >.>
não insista
Não! Não sou. Não insista você, ou te bloquearei aqui.
MUAHAHAHAHA...
bah... eu posso viver sem ter que comentar no seu blog... nem que eu tenha que criar um fake
MUWAHAHAHA!
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